Participe do Processo
É natural que a maioria das pessoas fiquem alheias as questões mais importantes da coletividade. Na escola, no trabalho, na igreja ou na sociedade, são poucos os que interferem no processo, outros participam das interferências e a maioria observa o processo acontecer. Talvez essa seja a grande causa da alienação que permite absurdos de toda ordem acontecerem na sociedade. Quem não participa do processo, nunca irá interferir no mesmo, nunca dará uma contribuição, nunca colocará se quer um tijolo na construção da sociedade. Não perca a oportunidade, não deixa que os outros decidam por você, não coloque os seus direitos nas mãos de quem saberá aproveitar muito bem cada um deles. Seja um ativista das causas que te afetam diretamente, seja na escola, no trabalho, na igreja ou na sua cidade, interfira, faça sua opinião ser ouvida, tenha opinião, busque o dialogo, não aceite o desconhecimento, muito menos não permita que alguém use você como degrau para chegar a objetivos espúrios. Não deixe todas as decisões nas mãos do seu cônjuge, diga a seu patrão a sua opinião, deixe claro para quem te pede voto que você quer ouvir propostas, participe do processo, assim você será protagonista de sua história, isso te garantirá dignidade, respeito e principalmente, com isso você vai eliminar muitos falsos mestres, lobos vestidos de ovelhas e ladrões que querem roubar valores imprescindíveis à felicidade.
Pr. Rogério Barros
Escrito por Pr. Rogério Barros às 20h42
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Os perfumes
Hoje fui ao Boticário e senti a fragrância de três perfumes que usei em fases diferentes da minha vida. Lembrei-me de roupas, pessoas, lugares e sentimentos. Tudo como um relâmpago que rasgou o passado e me fez ver algumas das cenas mais tristes e felizes da minha vida até aqui. Foi ai que percebi que não há perfume que me faça lembrar minha infância e adolescência. Constatei que de fato não havia perfumes, nem Alfazema, nem Avon, muito menos Boticário, eu não usei perfume na minha infância, nem em boa parte de minha adolescência. Ai lembrei-me de um cheiro que é mais gostoso que todos esses perfumes, o cheiro de peixe recém pescado. Esse é o cheiro de minha infância e de boa parte de minha adolescência, é o cheiro com que meu pai chegava da feira-livre, onde trabalhava vendendo peixe, era o cheiro da sacola que ele carregava suas amoladas facas, aliás que não deixava a gente usar para cortar nada. Lembre que as vezes quando vou a algum lugar onde se vende peixe, fico cheirando bem de perto, as pessoas acham que sou maluco, mas fico ali cheirando os peixes. Ninguém sabe que aquele cheiro me leva a estar perto do meu pai, me faz lembrar com enorme força os dias em que ele me levava para ajudá-lo a vender os peixes na feira. Eu ajudava a abrir os sacos, para que ele colocasse os peixes dentro, as vezes eu ajudava a limpar algum peixe ou quando eles estavam muito no fundo do frízer e ele não alcançava eu entrava lá dentro e pegava o danado. Tucunaré, Jaraqui, Jatuarana, Sardinha, Piau, Pacú, Branquinha, Dorado, Filhote, Tambaqui, Pirapitinga, Cará, Bodó e muitas outras delícias das águas amazonenses fornecem as fragrâncias mais gostosas de minha vida. Meu pai não me dava dinheiro vivo quando eu ia ajudar ele, na hora da xepa, quando ele via que os fregueses já havia rumado para suas casas, ele fazia uns montinhos de peixes, aqueles mais ruizinhos e me dizia: “Vende ai, o que tu vender é teu!”. Ai eu começava a gritar o preço das minhas promoções e o valor da oferta. Perfumes e cheiros, lembranças e heranças, histórias e saudades, viver é isso.
Pr. Rogério Barros
Escrito por Pr. Rogério Barros às 20h31
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