
Consumir é a saída suicida!
O consumo é o sangue que corre nas veias do capitalismo. Sem consumo não há mercado, sem mercado não há capitalismo. O interessante é que o simples gesto, de atravessar a rua e comprar um refrigerante, é imprescindível nesse sistema, que se alimenta muito mais das vaidades e do ego humano, que de suas necessidades básicas e fundamentais. Consumir é o que nos endivida, é o que nos tira o sono, é o que nos deprime é o que nos faz trabalhar como escravos. Aliás, somos escravos de quem? Do trabalho? Eu diria, não! Somos escravos do consumo! Não sabemos viver sem consumir, por mais que a roupa tenha uma durabilidade material que lhe garanta três anos de uso, só serve para uma estação, coisa de três meses. Tem um tempo útil ditado pela moda, pela tendência, que muda cores, listra e estilos inutilizando muitas peças, que estão em excelente estado esquecidas em nossos armários. Tudo só para nos fazer consumir. Enquanto somos obrigados a mudar de celular quase todo mês, e os nossos carros se tornam obsoletos por causa dos utilitários, nossos computadores trimestralmente se superam, fazendo com que um ciclo de transformação tecnológica impulsione o consumo. Somos escravos do consumo, se não consumirmos, nós mesmos seremos prejudicados, se eu não comprar não tenho emprego, se eu não comprar o aluguel aumenta, a luz aumenta, o alimento aumento, no fim das contas ou eu compro o supérfluo ou eu não tenho dinheiro para comprar o básico-subsistêncial. Portanto, em tempos de crise financeira mundial, consumir é a saída suicida para um mundo que caminha para a destruição de si próprio. Pois não havendo recursos naturais, conseqüentemente não havendo mais condições de produzir novos produtos que possam alimentar o mercado, o capitalismo morrerá e nós, ou morreremos com ele, ou reinventaremos a forma de viver, onde o planeta não será explorado, mas curtido e aproveitado, como casa segura e quintal onde plantaremos, colheremos e comeremos, sem precisar compra, especular e destruir.
Rogério Barros
Escrito por Pr. Rogério Barros às 18h35
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O obstáculo do imediatismo
“Não vos importa saber tempos ou épocas...”
Jesus Cristo
Os discípulos de Jesus, após ouvirem uma das mais importantes promessas do mestre, expressaram imediata preocupação com o tempo. Jesus falara sobre a promessa do Espírito Santo que viria a ser quem garantiria o êxito em todos os atos dos apóstolos. Diante das palavras de Jesus, eles perguntaram, sobre quando o reino de Israel seria restaurado. Além de terem assimilado que a vinda de Jesus seria para a restauração do reino político, entenderam agora que se Jesus estava prometendo a vinda do Espírito Santo, então não seria ele em pessoa, quem restauraria esse reino. Então perguntaram, será esse o tempo? Jesus responde; não vos compete saber tempos! Nossa preocupação com o tempo é inerente a temporalidade da existência. Queremos saber, quanto “tempo” temos, quando será, se vai demorar. Nos dias atuais, a coisa complica ainda mais, cada dia mais sem tempo, cada vez mais dependente do relógio passamos a viver atentos ao tempo e esperando que ele nos dê uma trégua. Em tempos assim, tudo o que for muito rápido, imediato é valorizadíssimo, internet rápida, computador rápido, banco rápido, carro rápido, atendimento no comércio rápido, comida rápida, tudo o que é rápido é valorizado. Isso gera em nós uma fome pelo imediatismo. Queremos tudo o mais rápido possível. Há um tempo vi um anuncio em São Paulo que prometida, “conclua o primeiro e segundo graus em duas semanas!”. Ai eu pensei - Meu Deus! Passei dez anos pra isso acontecer comigo. Esse imediatismo é um grande obstáculo para se obter grandes conquistas. As pessoas passaram a querer tudo em curto prazo, ninguém faz planos para quatro, cinco, dez anos. O grande número de estudantes que não concluem os cursos que iniciaram, são vítimas tempo. Ou é agora ou nunca. Muitas vezes, se tem a promessa, se tem os pressupostos básicos para alcançar a vitória, a concretização da promessa, mas como não se sabe quando, o desanimo faz desistir. O que Jesus disse aos discípulos em outras palavras foi, não se preocupem com o tempo, façam a parte de vocês no processo, acreditem na promessa e trabalhem com base nela. Hoje é o tempo. Apenas hoje é o tempo, não amanhã, hoje é o dia, o dia de fazer, o dia de acreditar na conquista, o dia de esquecer se será amanhã ou depois, o dia de saber que fazer e viver só são possíveis hoje, porque amanhã é o dia que o Pai reservou para a sua própria autoridade, decidindo sobre ele o que Ele quiser decidir. O que ele nos deu foi o hoje, que deve vencer o imediatismo, que deve nos fazer sentir o prazer pelo que estamos fazendo agora, não importa os resultados que veremos, o que não podemos é viver sem fazer nada, só por não sabermos “quando”!
Rogério Barros
Escrito por Pr. Rogério Barros às 12h11
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